A difícil redução da mortalidade materna na África

quarta-feira 30 de Janeiro de 2013

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Autor: Blain Biset.

Publica: http://www.ipsnoticias.net .

Tipo de documento: Artigo.

Linguagem: espanhol.

Tema: Saúde da reprodução.

As palavras-chave: mortalidade materna, Saúde da reprodução, União Africana (UA) e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

Países e Regiões: África.

Descrição: Artigo de análise e opinião de Blain Biset.

A União Africana (UA) e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) lançaram em maio de 2009 a CARMMA (Campanha pela Redução Acelerada da Mortalidade Materna na África) a fim de ampliar a disponibilidade dos serviços de saúde reprodutiva e deixar o continente mais perto do cumprimento do 5º dos oito Objetivos de Desenvolvimento das Nações Unidas para o Milênio (ODM) que foca o tema.

Antes da reunião da CARMMA, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon pediu aos chefes de Estado que se comprometessem sem demora com os ODM, especialmente com a redução da mortalidade materna em três quartos de 1990 a 2015 e garantissem acesso universal à saúde reprodutiva.

Fizeram muitas promessas, mas o continente ainda tem um longo caminho pela frente para atingir essa meta. A África Subsaariana diminuiu a mortalidade materna em 41 por cento.

O diretor executivo do UNFPA Babatunde Osotimehin acha que a região exibe conquistas significativas, mas são necessárias mais reuniões de alto nível como a de domingo, 27.

“A África sabe o que fazer e como fazê-lo”, disse a IPS, “porém ainda há desafios”, observou.

O comissário da UA para Assuntos Sociais, Mustapha Kaloko não está convencido de que a África possa alcançar o objetivo para 2015, mas sim acredita em que CARMMA pode acelerar a diminuição da mortalidade materna.

“A campanha não pede nada novo”, disse Kalolo a IPS. “Não estamos desenvolvendo novos planos, e sim melhorando os instrumentos que já temos”, afirmou.

A maioria das mortes maternas na África pôde ter sido evitada utilizando práticas e intervenções existentes, explicou.

Um estudo da conhecida revista médica The Lancet afirma que a mulher da África subsaariana tem quase 100 vezes mais possibilidades de morrer de complicações derivadas da gravidez, ou de parto do que uma de um país rico.

Assinala, também, que oito dos 10 países que exibem as mais elevadas taxas de mortalidade materna estão na África: a Nigéria e a República Democrática do Congo encabeçam a lista.

O outro grande desafio, segundo Osotimehin, é saber até que ponto as nações estão comprometidas politicamente com a redução da mortalidade materna no continente.

“Não se trata de dinheiro, se trata de compromisso, devemos garantir que nenhuma mulher morra dando vida”, sublinhou.

A grande maioria das mortes maternas, perto de 57% ocorre na África; a maior taxa do mundo.

A mortalidade materna não é a única coisa que preocupa os especialistas em desenvolvimento e os médicos locais. Para cada morte ligada à gravidez ou ao parto, vinte mulheres têm complicações antes, durante e depois de dar à luz, com seqüelas de incapacidade ou problemas de saúde para mães e bebês durante a vida toda.

Graves sangramentos, infecções, pressão alta e abortos praticados em condições inseguras são as causas mais comuns das complicações e das mortes, revela UNFPA.

Para Dorothee Kinde Gazard, a ministra de Saúde do Benin, os números são impressionantes. “A sociedade toda, principalmente em escala comunitária, deve envolver-se e comprometer-se, para assegurar que nenhuma mulher morra ou fique incapacitada”, assinalou.

Benin tomou medidas para diminuir as mortes maternas melhorando o serviço de coleta de dados em clínicas e hospitais. “Todas as mortes são registradas, queremos saber os motivos dos falecimentos e como podemos evitá-los”, disse Gazard a IPS.

O uso dos serviços de planejamento familiar teve sucesso em vários países, dentre eles Malaui. Tanzânia e Zâmbia.

Outra solução é diminuir a mortalidade materna evitando casamentos precoces, comentou Osotimehin.

“Os casamentos precoces fazem com que meninas criem crianças sem estar preparadas nem física nem psicologicamente para isso”, observou.

No Níger, perto de três quartos das mulheres se casam na adolescência.

As meninas grávidas na faixa de 10 a 14 anos têm cinco vezes maior probabilidade de morrer na gravidez do que as de vinte anos, explica relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Já as de 15 a 19 anos têm o dobro de probabilidades.

CARMMA centra-se na saúde das mulheres, mas os homens desempenham importante papel na campanha. Osotimehin assinala que todo o mundo deve entender que as elevadas taxas de mortalidade materna não são admissíveis.

“Devemos falar com os homens, porque são eles os que causam estes problemas”, sublinhou.

Gazard coincide em que a participação masculina é da maior importância. “Sem eles, não conseguiremos diminuir a mortalidade materna”, afirma.

Para envolver os homens, Benin lançou um projeto alentado a que acompanhem suas mulheres aos controles pré-natais.

Por enquanto, Guiné Equatorial é o único país africano que aparece entre os 10 que alcançaram o 5º ODM.

Figuras influentes como Michelle Bachelet, diretora executiva da ONU Mulheres estão convencidas de que poucos países africanos poderão diminuir a mortalidade materna em 75%, para 2015.

“Temos de concentrar esforços, já devemos começar a pensar no que acontecerá depois de 2015”, disse Bachelet a IPS.

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