Mali: Cooperação, Política

Financiamento estatal: Os parceiros exigem a volta definitiva da ex-junta aos quartéis.

segunda-feira 4 de Junho de 2012

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Título: Financiamento estatal: Os parceiros exigem a volta definitiva da ex-junta aos quartéis. Autor: Fakara Fainké

Fonte: Le Républicain (O Republicano) (Mali)

Data e lugar: 1º de junho de 2012-Bamaco-Mali

Tipo de documento: Artigo de imprensa

Idioma: Francês

Temática: cooperação, política, Embargo financeiro a Mali

Do ponto de vista financeiro, a economia do Mali continua embargada. Foram eliminadas as sanções impostas pela CEDEAO, porém, na prática, os parceiros de Mali não consentiram a abertura da bolsa. Com efeito, os serviços estatais, assim como as ONGs vivem verdadeiro pesadelo devido à inércia de todos os setores: os financiamentos estão bloqueados.

Segundo fontes próximas, a União Européia e os Estados Unidos, os dois parceiros mais importantes, exigem a volta definitiva da ex-junta aos quartéis, assim como a recomposição do governo, que terá de admitir a existência dos partidos políticos e das forças ativas da nação. O governo atual não é nem consensual nem de união nacional.

O momento continua sendo grave para o Mali. Depois da tempestade em Bamako, não se percebe calmaria, nem de longe. Os comércios estão praticamente parados, os serviços estatais asfixiados por falta de financiamento, principalmente aqueles que tributam ao Tesouro (alfândega, impostos), há ONGs totalmente inativas por falta de recursos.

As empresas privadas estão tecnicamente paradas. Aparentemente reina a calma, mas os associados para o desenvolvimento não querem abrir créditos. Segundo algumas fontes, as causas da abstenção dos amigos de Mali têm a ver com a gestão da transição. No seu entendimento, o acordo marco, mediante o qual foi nomeado o Presidente de transição, deveria obrigar a ex-junta voltar definitivamente aos quartéis.

Yayi Boni, Presidente em exercício da União Africana, foi muito claro durante sua visita à França. A ex-junta deve voltar imediatamente aos quartéis depois da nomeação do presidente de transição. Na verdade, é preciso admitir que o capitão embora finja ser imperceptível, continua com seus homens no posto de mando em Kati. Os meios de comunicação em massa estatais, como a Rádio e a Televisão de Mali (ORTM) e o aeroporto continuam ocupados militarmente.

Esta situação não acalma os parceiros para o desenvolvimento, eles acham que o capitão ainda detém o poder. A detenção do avião do presidente Dioncounda Traoré no aeroporto de Bamaco, quando partia no fim da semana para a Europa para receber tratamento médico é um exemplo claro da situação que prevalece naquele país. Alguns viram a mão do capitão Sanogo na detenção do avião pelos serviços de segurança. Isto explicaria a hesitação dos parceiros a abrir as torneiras? Consideramos que sim.

Outros cogitam outras razões que explicariam o rechaço dos parceiros nestes momentos difíceis para Mali. Sobre a composição do governo de Cheick Modibo Diarra, alguns julgam que este governo deveria contar com partidos políticos e as forças ativas da nação, como se havia negociado no acordo marco, onde se falava de um governo de unidade nacional. O governo de Cheick Modibo Diarra não inspira legitimidade, portanto os parceiros não confiam, e não querem empreender verdadeiros acordos de associação. Na prática, o ministro das Relações Exteriores desde que assumiu a pasta não assinou nenhum acordo digno de levar esse nome e que demonstre que as relações entre Mali e seus parceiros são normais. Poderia o Primeiro-Ministro Cheick Modibo Diarra convencer os parceiros a retomarem suas atividades?

De todas as maneiras, em declaração posterior à agressão ao presidente Dioncounda Traoré, os Estados Unidos solicitaram ao capitão Sanogo e ao Comitê nacional de recuperação da democracia e a restauração do Estado (CNRDRE – siglas em francês) a se manter a margem e a colaborar imediatamente com a restituição de um regime civil. Chegou o momento de os soldados jogarem seu papel de defensores da Constituição do Mali. A declaração frisa que “os Estados Unidos acompanharão de perto os esforços de ambas as partes - civil ou militar – e não privarão os cidadãos do Mali de voltar rapidamente a um novo governo estável e democrático que trabalhe pelo bem-estar do povo”. Continuaremos com as sanções contra os membros da CNRDRE e contra outros, militares ou civis, que tentem socavar este processo, assinala a declaração.

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