Proliferação dos meios de comunicação de massa estrangeiros pode ocultar enfoque de conquista geoestratégica dos países africanos

sexta-feira 19 de Outubro de 2012

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Título: Como a proliferação dos meios de comunicação de massa estrangeiros pode ocultar enfoque de conquista geoestratégica dos países africanos?

Autor: ABDOULAYE I. Lawal,

Tipo de documento: Artigo de opinião

Linguagem: Francês.

Temática: O impacto dos meios de comunicação de massa estrangeiros sobre as relações internacionais entre África e o Ocidente.

As palavras-chave: Meios de comunicação na África, comunicação, informações, relações África/Ocidente

Subtítulos:

-  O que se sabe do passado dos meios de comunicação de massa na África?

-  Influência e papel dos veículos de comunicação estrangeiros na África.

-  Podem considerar-se os veículos de comunicação como objetos de continuidade e de satisfação dos interesses estratégicos?

- Exemplo da aplicação da geoestratégia na difusão da informação destinada a um país: Nigéria.

-  O modus faciendi da conquista midiática estrangeira: o exemplo chinês.

-  Reconhecimento póstumo à proposta de algumas personalidades políticas africanas quanto à possibilidade de ensinar e divulgar o acesso às ciências nos países africanos em uma língua africana: o suaíli

-  EXEMPLOS DE VERDADES PROVADAS CIENTIFICAMENTE, OCULTAS PELA DESINFORMAÇÃO MIDIÁTICA NA ÁFRICA.

-  A REALIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA NOS PAÍSES AFRICANOS.

-  Perspectiva audaz para o continente africano: um satélite africano.

Hoje em dia, se diz que o ser humano, que o homem é HOMO SAPIEN SAPIENS, em latim “sapiens” significa sábio, por conseguinte o homem é duas vezes sábio. Porém, o homem não é só “sapiens”, também é “Homo COMMUNICANS”, ou ao menos o “homem que comunica” desde sua aparição através da linguagem. Os resultados das pesquisas científicas da célebre revista Sciences em 2011 mostraram que “uma criança na barriga da mãe é capaz de escutar, identificar e fazer distinção entre a voz da mãe e as das outras pessoas que a rodeiam e outros ruídos emitidos pelo meio”. Sem dúvida, este exemplo nos permite perceber facilmente o que chamaremos de “o meio midiático primário”. Provavelmente, há quem evoque o meio ambiente natural das abelhas, mas nós preferimos falar na comunicação midiática humana.

É bom recordar que nós nos servimos de um canal mais ou menos compreensível (a linguagem) segundo as pessoas e o meio de comunicação: é a linguagem que varia e, ao mesmo tempo, serve de ferramenta. Por isso, as pessoas que vivem em sociedade inventaram a linguagem e os meios pelos quais pode ser transmitida com maior ou menor grau de facilidade.

Se apreciarmos objetivamente o volume e a intensidade das informações às quais temos acesso, percebemos que não se podem comparar com o que era no passado, tanto assim que as vias atuais de informação são os meios de comunicação. Estes últimos se converteram no quarto poder dentro dos Estados. A transformação do mundo em aldeia global não fez com que os meios de comunicação ocidentais fossem parte integrante do nosso contexto de vida socioeconômica e até cultural? E o que se poderia dizer de sua influência psicossociológica sobre os cidadãos do mundo em geral, e os africanos em particular?

O que se sabe do passado dos meios de comunicação na África?

Os primeiros meios de comunicação foram criados pelos ingleses. Com autorização expressa do governo britânico, John REITH criou em 14 de novembro de 1922 a British Broadcasting Company, conhecida por suas siglas em inglês BBC. Trata-se de uma estação de rádiotelevisão que teve grande sucesso. A BBC emprega mais de 24 000 pessoas no mundo. Este meio de comunicação é o principal canal do Estado Britânico, doméstico e exterior, e foi, também, nas suas colônias americanas e africanas antes das “independências”.

A BBC foi fonte de inspiração para outras nações, como Estados Unidos, China, Japão, Irã, Catar, Itália, Holanda, etc. Assim, conservamos na memória a utilidade, a eficácia logística e a geoestratégia da BBC, através da qual o hipotético governo provisório da França Livre – estava no exílio – o General De Gaulle, que era ao mesmo tempo Chefe e porta-voz, lançou em Londres aquela frase célebre: “A França não perdeu a guerra... só perdeu um combate”. Sua voz ajudou a animar o batalhão francês que se enfrentava com legitimidade absoluta à opressão e à ocupação territorial da França pelas tropas de Hitler. Tudo isto ocorria antes de os governos africanos pronunciarem SIM a uma França livre, mandando soldados, víveres e até meios materiais, apesar da oposição da maioria dos governadores da África Ocidental Francesa (AOF) e da África Oriental Francesa (AEF) que tinham jurado fidelidade ao Marechal PETAIN. Essa França mostrou fidelidade inequívoca e até hoje é cúmplice dos Chefes de Estado “africanos” e o principal carrasco dos Estados Africanos. E, sem se ruborizar, se ergue como defensora dos Direitos Humanos, a favor da proteção dos civis, das causas humanitárias, entre outras.

Em 15 de janeiro de 1975, o governo francês criou formalmente Rádio França Internacional (RFI) seguindo o modelo da emissora colonial, uma estação fundada em 1931 e dirigida às colônias rotuladas “francesas”. A mencionada emissora colonial continuou sendo filial de Rádio França até 1983. Em 1986, adquiriu o status de sociedade independente.

Influência e papel dos meios de comunicação estrangeiros na África:

As antenas e os cabos dos meios de comunicação estrangeiros que se espalham pela África só servem para “ lavrar a cabeça dos africanos”. O termo é apropriado porque é assim “como se plantam no cérebro as crenças e as opiniões dificilmente modificáveis... as mais eficazes”. As idéias sussurradas e repetidas ao longo dos dias acabam servindo aos mais variados interesses. Esses meios fabricam e condicionam a opinião africana. Desta maneira, os africanos “podiam escutar a BBC-África desde Londres, Moscou Internacional desde a capital da União Soviética, a Voz das Américas, desde Washington, Rádio França Internacional desde Paris, Rádio Vaticano desde Roma. Todas as imaginações competiam para nos dispersar em língua francesa, como faziam aquelas emissoras em inglês para os países africanos de língua inglesa”. Enchendo-nos a cabeça, querem convencer que só servimos para as obras humanitárias, para aprender dos debates democráticos sobre temas africanos e de outras partes do mundo.

Leia a continuação Infra…

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