A 40 anos do golpe de Estado no Chile: Salvador Allende presente!

quarta-feira 11 de Setembro de 2013

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Autor: JUBILEU SUL/AMÉRICAS.

Editora e Canal: JUBILEU SUL/AMERICAS.

Tipo de documento: Pronunciamento.

Língua: Espanhol.

Assunto: Sociedade civil.

As palavras-chave: Cone Sul, ditaduras militares, educação, golpe de Estado, fascismo, imperialismo, justiça, neoliberalismo, oligarquia, revolução e socialismo.

Países e Regiões: Chile.

Há 40 anos se instalava na América Latina um grande laboratório de experiências neoliberais, cujo início remonta ao golpe de Estado cometido contra o governo constitucional do companheiro Salvador Allende Gossens, em 11 de setembro de 1973 no Chile. Aquele golpe inaugurou, de algum modo, o avanço militar do capital na região. No Chile, era mais clara a conjunção do poder econômico, militar e político do imperialismo e acabou obstruindo o caminho ao socialismo. Foram as multinacionais, a direita mais rança junto com setores da oligarquia, o fascismo e a igreja católica que, financiados pela CIA, desestabilizaram um governo popular surgido democraticamente através de eleições.

Foi assim que essas experiências se espalharam pela região, articuladas através da Operação Condor, o operativo repressivo das diferentes ditaduras militares no Cone Sul. Assim foram detidas e assassinadas centenas de militantes chilenos refugiados na Argentina. Talvez, o caso mais paradigmático seja o assassinato do general constitucionalista Carlos Prats em 30 de setembro de 1974, em Buenos Aires. Esse crime foi executado por DINA, a polícia secreta chilena, em parceria com os militares argentinos. Ou, o de Orlando Letelier ocorrido a 21 de setembro de 1976 em Washington DC, também executado por DINA.

Essa mesma articulação ocorreu na área econômica e financeira com a aplicação de similares receitas neoliberais nos nossos países. Esses planos eram alentados pelo renomado economista Milton Friedman junto às Instituições Financeiras Internacionais (IFIs) e os chamados “chicago boys”, formados na Universidade de Chicago. Assim, a atividade toda começou a funcionar com base nas leis do mercado e a famosa “teoria do derrame”, sobre um brutal sobre-endividamento público e a privatização das empresas estatais. O lucro indiscriminado e os juros privados estavam acima dos direitos dos povos com a única finalidade de multiplicar os lucros a qualquer preço, mesmo à custa da vida e do sangue de milhões de compatriotas.

A experiência chilena ao socialismo, com todos os seus acertos e críticas, foi um farol de esperança para os povos da região, a realização histórica de que era possível construir a revolução e o governo dos trabalhadores por outros meios. Essa experiência truncada pelo fascismo continua vigente nas últimas palavras de Salvador Allende…”digo-lhes que tenho certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser segada definitivamente.. Têm a força, poderão nos avassalar, mas os processos sociais não se detêm, nem com o crime, nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos [...] Fiquem vocês sabendo que, mais cedo ou mais tarde, se abrirão de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”.

É urgente avançar na democratização da sociedade chilena. Ressaibos ditatoriais se fundem em leis que é preciso reformar para acabar, de uma vez e por todas, com os vestígios autoritários. A convocação a uma Assembléia Constituinte que dê origem a uma nova base política para a instauração de um modelo de democracia participativa, centrada nos direitos das comunidades e na Natureza, é a demanda das maiorias. Especialmente, o acesso a uma educação pública, gratuita e laica, entendida como um direito universal e não como mera mercadoria à qual só têm acesso os que possam pagá-la.

A 40 anos do golpe de Estado no Chile, há grandes dívidas a serem saldadas com a Democracia, porém, sobretudo, com os assassinados e desaparecidos políticos e suas famílias. A única saída para acabar com a impunidade reinante é a Memória, a Verdade e a Justiça. Os arrependimentos e as desculpas públicas de vários setores - que foram o suporte civil de uma das ditaduras mais sanguinárias da região – são insuficientes. Queremos e necessitamos saber o destino de cada um dos detid@s-desaparecid@s chilenos e do resto dos países da região. Não podemos perdoar por el@s. Mas podemos pedir pelos nossos mortos: julgamento e castigo!

Por estes mortos, os nossos mortos;

peço castigo.

Para os que de sangue mancharam a pátria;

peço castigo.

Para o carrasco que mandou esta morte;

peço castigo.

Para o traidor que ascendeu sobre o crime;

peço castigo.

Para quem deu a ordem de agonia;

peço castigo.

Para os que defenderam este crime;

peço castigo.

Quarenta anos de luta contra o fascismo e a ditadura para chegar a uma verdadeira justiça são a força que permite continuar caminhando até que se abram as grandes alamedas por onde passaremos os homens e as mulheres livres. Salvador Allende: presente, agora e sempre!

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