A festa acabou?

sábado 24 de Agosto de 2013

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Autor: Héctor Béjar.

Editora e Canal: Rede do Terceiro Mundo.

Tipo de documento: Artigo.

Língua: Espanhol.

Assunto: Política.

As palavras-chave: Analfabetismo, capitalistas, contaminação, juventude e trabalhadores.

Países e Regiões: Peru.

O presidente do Peru e o seu ministro da Economia informaram ao país: a festa acabou. Mais tarde, amaciaram as suas declarações. A gente do povo nunca teve festa. A tuberculose campeia; a corrupção se espalha; escolas e hospitais continuam em ruínas; aumenta o consumo da comida lixo; há má nutrição e desnutrição ao mesmo tempo; há muitos celulares, tabletes e iPads, mas poucos sabem ler, compreender e muito menos escrever um texto. O analfabetismo computadorizado se espalha como mancha de óleo na juventude.

A aliança com os Estados Unidos para quebrar a União Soviética, entre Richard Nixon e Mao nos setenta, permitiu aos chineses se modernizarem nos anos oitenta e virar uma potência mundial. O mercado norte-americano, que se fechou para Cuba, acabou abrindo-se de par em par à China, como antigamente tinha acontecido com o Japão. Os capitalistas dos Estados Unidos conseguiram desfazer-se dos seus monstros industriais, puderam dispensar os trabalhadores que tinham direitos; e transferiram para a China a missão de ser a fábrica do mundo com sua inesgotável força de trabalho barata, e disciplinada pelo partido comunista. Entrementes, a América do Norte se dedicava a fabricar armas, aos serviços financeiros e utilizava o trabalho também barato e flexível de milhões de jovens alienados pelo consumo. Clinton desregulou os capitais nos anos noventa, o que liberou montanhas de dólares, que foram investidos na compra dos ativos aos países endividados por preço de banana, entre eles o Peru, cujas massas populares foram paralisadas com choques econômicos e hipnotizadas com tele-lixo, migalhas e bugigangas.

Wall Street dominou o planeta através da especulação financeira e a concentração dos ativos, que caíram nas mãos de suas empresas globais; A China acabou sendo a fábrica mundial; O Peru e outros países se tornaram os provedores de insumos à China, eles eram a cauda da locomotiva.

O Peru foi ouro para especuladores nervosos que não confiam no dólar; ferro e cobre para as fábricas chinesas; farinha de peixe para os porcos e os frangos que alimentam um bilhão de pessoas que começaram a comer no gigante asiático. Antigamente éramos ouro e escravos. Hoje em dia, somos ouro e informais.

A quebra do setor imobiliário nos Estados Unidos e na Europa, em 2008, obrigou os países a salvar os capitalistas. Estes últimos acabaram ganhando ainda mais dinheiro. Porém, os Estados Unidos e a Europa, mercados da China, começaram a comprar menos e a China começou a pedir menos ferro e menos cobre aos seus fornecedores de insumos. Cobertas as necessidades dos especuladores que buscam ouro como refúgio alternativo ao cambaleante dólar, o preço do ouro começou a descer. Com isso, muitos projetos mineiros deixaram de ser atraentes para os investidores.

Os congressos do Partido Comunista Chinês vêm insistindo em que o país necessita passar a uma indústria de alta tecnologia não poluente, com energias alternativas e menos dependente do exterior. É possível que no decurso do século, outros países, como a Tailândia e a Indonésia, passem a desempenhar o atual papel da China.

O ciclo continuará, mas em condições mais custosas para o Peru. Mais de quatro por cento do PBI em lagos perdidos, montanhas de escória, rios transformados em escoadouros, águas de mercúrio e cianureto. Mais buracos nos Andes, mais poluição. Menos produção, preços mais baixos. Menos dinheiro para o Estado.

O corrupto establishment peruano quer agora vender mais o país, e não se detêm nos obstáculos arqueológicos, nem ambientais.

Fazer com que a gente viva do seu trabalho limpo e organizado e não das migalhas que deixem os envenenadores é a solução que aconselha o bom senso. Porém, não são tempos de racionalidade, e sim de ignorância dos pobres e cobiça dos ricos. A festa do saque, a poluição, a violência, a desordem continuará. Enquanto a fatia honesta do país permitir.

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