Entrevista a Mónica Bruckmann

As reservas de recursos naturais fortalecem a América do Sul

sábado 18 de Maio de 2013

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Autor: Amaro Grassi.

Publica e canal: Agência Latino-Americana de Notícias (ALAI).

Tipo de documento: Entrevista.

Idioma: Espanhol.

Assunto: Meio Ambiente.

As palavras-chave: Direito ao meio ambiente, Ecologia, Exploração de recursos naturais; Meio ambiente; Recursos naturais, Saúde, Segurança Alimentar.

Países e Regiões: Venezuela, América Latina e o Caribe.

Descrição: Entrevista à Dra. Mónica Bruckmann, assessora da Secretaria Geral da UNASUL.

A Dra. Mónica Bruckmann, assessora da Secretaria Geral da UNASUL, fala em entrevista sobre o recém-criado Grupo de Pesquisa de Recursos Naturais, que atuará sob sua coordenação no Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS), onde elaborará uma estratégia regional sobre o assunto e sua ligação à área de saúde.

Socióloga peruana e doutora em Ciência Política, Bruckmann é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Será uma das conferencistas na Conferência Sul-Americana sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região, que ocorrerá de 27 a 30 de maio, na Venezuela.

A UNASUL formou recentemente um Grupo de Pesquisa sobre Recursos Naturais por incumbência do Conselho de Chefes de Estado. Quais são os seus objetivos?

A Secretaria Geral da UNASUL está debruçada sobre uma estratégia de aproveitamento dos recursos naturais dirigida à promoção do desenvolvimento integral da região para superar o denominado “extrativismo”. Todos estão cientes da necessidade de diminuir o impacto ambiental e agregar valor aos recursos naturais da região, o que passa pela industrialização e o desenvolvimento científico e tecnológico.

As linhas gerais da estratégia foram definidas em um documento apresentado pelo Secretário Geral ao Conselho de Chefes de Estado e de Governo. A proposta foi muito bem-recebida e virou mandato para a realização de um estudo sobre os recursos naturais estratégicos na América do Sul.

Nesta direção, a Secretaria Geral formou um Grupo de Pesquisa que começa a trabalhar no Rio de Janeiro. A idéia, contudo, é iniciar uma articulação regional com instituições de pesquisa nas áreas de recursos naturais, inovação científica e tecnológica, biodiversidade e meio ambiente. Esta equipe de pesquisa se instalou no Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, ISAGS.

Os Presidentes da UNASUL apoiaram a realização da Conferência Sul-Americana sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região, que ocorrerá de 27 a 30 de maio, em Caracas, Venezuela.

Neste sentido, quais são as estratégias da UNASUL?

A nossa região sempre exportou matérias-primas sem valor agregado. Neste começo de século, estamos vendo que a região continua na mesma. Dados fornecidos pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) indicam que de 1995 a 2008, as matérias-primas sem valor agregado passaram de 38% a quase 70% do total das exportações da América Latina à China. Estamos falando em um processo de reprimarização das exportações, tendo a região condições plenas de agregar valor às mesmas.

Cabe verificar, portanto, se uma América do Sul forte passa pelo tamanho das suas reservas de recursos minerais estratégicos. A região possui quase 96% das reservas de lítio, 98% de nióbio, 46% de cobre, bem como notável quantidade de zinco, bauxita e minerais fósseis como gás e petróleo.

Possui a maior concentração de biodiversidade e praticamente 30% das reservas de água doce do planeta, para além do seu potencial de produzir energia limpa, não só hidrelétrica, mas também geotérmica, eólica, e fotovoltaica.

A Secretaria Geral da UNASUL encaminhou ao Conselho de Chefes de Estado uma proposta de linhas estratégicas para o aproveitamento dos recursos naturais. São quatro eixos estratégicos: gestão econômica, para promover a agregação de valor e industrialização; gestão científica e tecnológica, para a inovação aplicada à industrialização e a redução do impacto ambiental na extração; gestão ambiental, que incorpore a preservação do meio ambiente como elemento central; e gestão social.

Qual é a ligação entre recursos naturais e saúde? Que políticas se podem desenvolver para articular estas duas dimensões?

Acho que o debate em torno da dimensão estratégica dos recursos naturais está começando em certa medida nos Conselhos Setoriais da UNASUL. Apesar de ser uma temática nova na agenda política da União, está adquirindo maior densidade. Um dos aspectos discutidos recentemente no ISAGS é a possibilidade de iniciar um projeto de pesquisa na área, com a participação de instituições e pesquisadores de toda a região.

Temos uma grande coleção de ervas que a medicina tradicional no continente utiliza com freqüência; uma grande concentração de diversidade biológica, bancos genéticos naturais, como nas Galápagos (Equador), entre outras potencialidades para o desenvolvimento desse campo da ciência. Por sua vez, a área de biotecnologia significa não só aproximar-nos da produção científica avançada, mas também a possibilidade de aplicação na fabricação de medicamentos norteados à universalização do acesso à saúde.

Esta é uma das principais preocupações de ISAGS, e também do Conselho de Saúde. A produção de medicamentos viabiliza retorno econômico para o financiamento da pesquisa e tem potencial social muito grande. Universalizar a saúde é uma das questões mais importantes da UNASUL e de qualquer processo de democratização no continente.

Como aquilata o processo de institucionalização da UNASUL e do projeto de integração da América do Sul? Quais são os seus desafios imediatos?

O que estamos vendo desde 2008, data em que nasce UNASUL, é que houve enorme avanço na sua constituição institucional. Hoje, temos 12 Conselhos Ministeriais, dois institutos de pesquisa – ISAGS e o Centro de Estudos Estratégicos na Defesa (CEED) – e uma atuação cada vez mais densa nos processos democráticos na região. O Conselho Eleitoral joga papel importante ao garantir e verificar a transparência dos processos eleitorais.

Por outro lado, os processos de integração dos países do sul fazem parte de uma tendência histórica que marca o começo do Século 21 no mundo. O dinamismo diplomático dos BRICS, por exemplo, mostra que há tendência de integração dos países do Sul. Recente relatório do PNUD sustenta que o Sul ainda necessita do Norte, mas o Norte necessita cada vez mais do Sul. O Sul está sendo visto – isto é uma mudança radical de paradigma –como o espaço de grandes diferenças. Estas diferenças, contudo, já não representam barreiras, podem enriquecer este processo e permitem pensar em novas formas de convivência.

Amaro Grassi. Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, ISAGS.

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