América Latina en Movimiento Nº 484 - Abril 2013

Fórum Social Mundial: É hora de recolocar os problemas?

terça-feira 23 de Abril de 2013

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Autor: Vári@s.

Publica: América Latina en Movimiento.

Canal: Agência Latino-Americana de Informação (ALAI).

Tipo de documento: Revista.

Língua: espanhol.

Assunto: Sociedade civil.

As palavras-chave: Movimentos sociais, Sociedade civil.

Países e Regiões: Internacional.

Descrição: Revista especial América Latina en Movimiento Nº 484 - Abril 2013.

Sumário:

- Da América Latina: Balanço e perspectivas do FSM. Gustavo Codas.

- O FSM como processo histórico: Aprender fazendo? Jai Sen.

- Tunísia 2013: O FSM se renovou com a primavera árabe. Sergio Ferrari.

- FSM 2013: O êxito de um método. Chico Whitaker.

- O FSM e sua governança: o monstro de cem cabeças. Francine Mestrum.

- Quem define o que é o FSM? Christian Schröder.

- Declaração da Assembléia dos Movimentos Sociais.

- Novos desafios organizativos. Michael Albert.

Veja revista completa em link direto e PDF.

De 26 a 30 de março, a capital tunisiana foi teatro da 9ª edição do Fórum Social Mundial (FSM), processo altermundialista que tem 12 anos de vida e, hoje, no seu seio, diferentes setores estão alentando a abertura de um debate para delinear perspectivas futuras diante de uma realidade que registra mudanças significativas. A edição de abril da revista América Latina en Movimiento focaliza esta temática, com o conteúdo seguinte:

A seguir, reproduzimos o artigo de Gustavo Codas, jornalista e economista paraguaio, máster em relações internacionais.

Da América Latina: Balanço e perspectivas do FSM

O primeiro grande levante popular espontâneo em nível nacional contra a globalização neoliberal foi o Caracazo de 1989. Em 1992, um grupo de militares venezuelanos rebeldes, liderado por Hugo Chávez, tratou de dar-lhe expressão política.

Em 1990, no meio do desconcerto provocado pela crise final do socialismo burocrático, por iniciativa do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula e com o apoio do Partido Comunista Cubano (PCC) de Fidel se realizou o primeiro Fórum de São Paulo com a participação de um vasto leque de partidos progressistas e de esquerda de toda a América Latina, para debater estratégias políticas que conduzissem à saída do refluxo em que se encontravam na luta contra o neoconservadorismo.

A primeira ação contra-hegemônica articulada internacionalmente por diferentes organizações latino-americanas foi a campanha pelos 500 anos de resistência indígena, negra e popular, no âmbito das comemorações de 1992.

A primeira resposta política à globalização neoliberal organizada em nível nacional e com projeções mundiais foi o levante indígena zapatista de 1º de Janeiro de 1994. O setor marginalizado e excluído, socialmente mais “atrasado” do hemisfério: os indígenas pobres do México, se ergueram contra a expressão mais “moderna” da ofensiva neoliberal, o NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte.

A primeira grande manifestação contra os efeitos do neoliberalismo no Norte: a greve geral de 1995, que conturbou a França e questionou o marasmo do outrora poderoso sindicalismo europeu que tinha construído o estado de bem-estar e agora, impotente, via-o desmoronar.

A primeira vitória eleitoral duradoura de um projeto político alternativo ao neoliberalismo foi a de Chávez, em 1998. Casos anteriores como o de Aristide, em 1991, no Haiti, não resistiram às pressões da direita e ao imperialismo e fracassaram ou se desviaram do caminho.

Em 1996, no Encontro Intergaláctico convocado pelos zapatistas em Chiapas, México, convergiram em um mesmo espaço, pela primeira vez, diferentes sujeitos sociais e políticos do Norte e do Sul do mundo, todos com o denominador comum de estarem dispostos a enfrentar o neoliberalismo.

Em 1999, nas manifestações contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle, Estados Unidos, vencendo desconfianças mútuas, se juntaram os “novos” movimentos com organizações sociais “tradicionais” de todo o mundo, na primeira manifestação com representantes internacionais de vasta diversidade político-ideológica, mas todos contra a globalização neoliberal.

Por volta de 1997, surge a Aliança Social Continental (ASC) onde movimentos novos e tradicionais de todo o hemisfério se unem para questionar a ALCA – Área de Livre Comércio das Américas -, projeto estrela do imperialismo norte-americano para o continente.

Todos esses processos e eventos ocorreram em um contexto mundial ainda dominado pelo impulso político, econômico e cultural global neoliberal. Ou seja, eram lutas contra a corrente, contra-hegemônicas, mas em ambiente muito favorável ao capitalismo neoliberal e às forças sociais e políticas a ele associadas. Durante a Cúpula dos Povos, organizada pela ASC em Quebec, Canadá, em abril de 2001, paralela à cúpula oficial de presidentes, apenas um governante dos 34 presentes nesta última manifestou seu descontentamento com a ALCA e sua proximidade dos movimentos contestatórios: Hugo Chávez, da Venezuela.

Nesse contexto, ainda na defensiva diante do pensamento único neoliberal e a onda ideológica do fim da história, no Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre, em janeiro de 2001, tentou-se armar um cenário para que todos esses atores tão diferentes convergissem. O objetivo era que encontrassem sinergias entre si. Que trocassem diagnósticos. Que se conhecessem programaticamente. Decidissem ações conjuntas cada vez que quisessem. Foi uma espécie de ponto de apoio para muitas agendas: o FSM foi importante no momento em que as lutas estavam dispersas em muitos pontos do planeta, para ligá-las entre si, associá-las, internacionalizá-las.

Dentro dessa perspectiva, o primeiro Fórum acolheu a Assembléia de Movimentos Sociais (AMS) que se destacou desde o começo na busca de agenda de ações comuns. Foi uma iniciativa das organizações da Via Campesina Internacional, do sindicalismo combativo de vários países e da Marcha Mundial das Mulheres, entre outras. O acerto no seu enfoque se viu quando, no Fórum Social Europeu de novembro de 2002, realizado em Florença, Itália, e no FSM de janeiro de 2003, em Porto Alegres, MAS resolveu impulsionar o dia de ação global contra a guerra dos Estados Unidos no Iraque que mobilizara milhões de pessoas ao redor do mundo. Finalmente, a globalização neoliberal encontrava uma resposta à altura e se cumpria a convocação da internacional camponesa “Globalizemos a luta!”.

Hoje, a situação mundial e regional do capitalismo e das forças adversárias ao capitalismo é outra. E desafia não só o FSM, mas também outras expressões dos movimentos internacionais ou regionais que se opuseram ao neoliberalismo em todos esses anos. Assim, também está em rediscussão a ASC que desempenhou importante papel na derrubada da ALCA durante a campanha continental que culminou vitoriosa em 2005, em Mar del Plata.

Desde a vitória eleitoral de Chávez, em 1998, boa parte da América Latina foi teatro de vitórias eleitorais presidenciais de forças progressistas. Se bem que houve dois golpes vitoriosos da direita, em Honduras, em 2010, e no Paraguai, 2012. Nos países com governos progressistas, os movimentos sociais enfrentam desafios diferentes ao da oposição frontal a projetos políticos neoliberais, mas o fato é que esses movimentos, muitas vezes, têm pontos de vista diferentes e até contraditórios com os governos progressistas nos assuntos-chave.

Essas experiências de governos progressistas são muito diversas. Seu denominador comum é a sua oposição à hegemonia imperialista norte-americana. É um “piso” de convergência desses governos com os movimentos sociais. Mas, o que ocorre nos casos em que tem posturas diferentes e até contrapostas no resto da agenda? Isso acontece não só nas experiências progressistas mais tímidas (como as do Cone Sul, que apesar do seu relativamente baixo perfil programático foram chave para parar a ALCA em 2005), mas também em processos que são claramente revolucionários. Não é esse o caso do conflito do governo Evo Morales com alguns setores indígenas com relação ao TIPNIS na Bolívia? (sem nos deter em quem tem razão!)

A década de 1990 esteve marcada pela sensação de vitória do unilateralismo norte-americano inaugurado na primeira guerra no Iraque. De uns anos para cá, as placas tectônicas do poder mundial estão se mexendo. Os Estados Unidos continuam sendo a primeira potência econômica, geopolítica e militar, mas diversos outros pólos estão disputando essa posição (o caso mais claro é o da China) e buscam se articular em nível mundial. Os governos progressistas não duvidam da necessidade de jogar essa partida nos termos em que o jogo está colocado: vários pólos versus o unipolar dos EUA. É possível pensar a geopolítica mundial dos movimentos ou só pensaremos as reivindicações gerais dos setores representados? O internacionalismo dos movimentos sociais tem alguma coisa que dizer sobre o redesenho do poder mundial interestatal?

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