Não somos números, somos educadoras e educadores

sexta-feira 4 de Outubro de 2013

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Autora: Yadira Rocha*.

Editora e Canal: Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL).

Tipo de documento: Artigo.

Língua: Espanhol.

Assunto: Educação.

As palavras-chave: Direito à educação, direitos humanos, educação pública, professores/as, políticas públicas e transformação social.

Países e Regiões: América Latina e o Caribe.

Em 5 de outubro se comemora o Dia Mundial dos Professores. A UNESCO e os seus parceiros lançaram o lema "Chamada para os professores". A chamada deveria focalizar o déficit de 1,9 bilhões de professores no mundo devidamente capacitados para alcançar a educação pública e os objetivos de EPT. A chamada deve ser para os governos, as políticas financeiras receitadas pelo Banco Mundial que prejudicam os programas sociais nos países, a urgência de voltar os olhos para o elo esquecido ou ignorado da engrenagem da educação no mundo: os professores/as.

É louvável homenagear e reconhecer o trabalho dos professores na transformação social no seu Dia Mundial, porém é preciso chamar a atenção sobre sua situação, suas condições de trabalho, sua formação, sua dignificação. Façamos a pergunta: por que são poucos os jovens, hoje em dia, que optam por ser professores? A falta de professores em nível mundial não se resolverá convocando só os professores; é preciso resolver questões como os salários pouco atraentes, salas de aula entulhadas, contratos precários, formação profissional insuficiente, sem recursos didáticos, entre outros.

Na América Latina e no Caribe, os professores /as estão travando grandes batalhas por várias razões. Em primeiro lugar, para serem levados em conta na elaboração de políticas dirigidas ao setor, e não ser mais instrumentos ou objetos das mesmas; exigir salários e condições dignas, para defender o direito à educação pública de qualidade, os direitos humanos, acompanhar as lutas estudantis, as reivindicações do movimento social. Por isso são perseguidos e foram assassinados educadores na Colômbia, Guatemala, México, Paraguai, Honduras, Haiti, Peru, e outros países.

Paulo Freire dizia que "como educadoras e educadores somos políticos, fazemos política ao fazer educação “Reconheço a realidade, reconheço os obstáculos, mas rechaço acomodar-me em silêncio ou simplesmente ser o eco vazio, envergonhado ou cínico do discurso."

Os problemas concernentes aos professores/as não são apenas problemas quantitativos, nem pedagógicos, mas também, e principalmente, políticos e éticos. A docência é um ator fundamental do desenvolvimento das nações. Se esse ator for preparado com qualidade, valorizado, apoiado e motivado, será um suporte na construção de processos de transformação.

Que este 5 de outubro não seja um dia qualquer, uma mera formalidade. Que haja mudanças verdadeiras que ajudem a dignificar os professores/as e que a juventude abra os braços para esta profissão e aumente o número de professores comprometidos no mundo.

* Promotoria CEAAL.

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