Um mundo perigoso

segunda-feira 10 de Junho de 2013

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Autora: Ana Muñoz

Editora e Canal: Agência Latino-Americana de Informação (ALAI)

Tipo de documento: Artigo

Língua: Espanhol

Assunto: Migração

As palavras-chave: Direitos Humanos, Deslocamentos, Migração, Refúgio

Países e Regiões: América Latina

O mundo é um lugar cada vez mais perigoso para as pessoas refugiadas e migrantes. É a conclusão que tira Anistia Internacional e transmite no seu relatório anual sobre o estado dos direitos humanos no planeta. A pobreza, os conflitos, os desastres naturais obrigam milhões de pessoas a abandonar os seus lares para lutar por suas vidas e as de suas famílias. São pessoas vulneráveis que não encontram uma mão estendida, e sim um mundo que as rejeita e as relega a uma vida na sombra.

Mais de 72 milhões de pessoas no mundo vivem afastadas dos seus lares. Muitas permanecem em bases de refugiados, outras vivem em países vizinhos e outras têm de percorrer muitos e muitos quilômetros para se sentirem seguras. Assim é a vida das pessoas refugiadas, afastadas de suas casas e de seus países para poder salvar suas vidas, e obrigadas a viver desarraigadas. Conflitos como na Síria, República Democrática do Congo, Mali ou República Centro-Africana, obrigaram milhões de pessoas a deixar suas vidas atrás e olhar para o futuro. Contudo, essas pessoas só não vêem luz no final do túnel.

“Ao não serem tratadas com eficácia as situações de conflito, cria-se uma classe de segunda categoria. Os direitos dos que fogem dos conflitos estão sendo esmagados e as pessoas se acham desprotegidas”, denuncia o secretário geral de Anistia Internacional, Salil Shetty.

A Agência para os Refugiados das Nações Unidas (Acnur) adverte: estamos vendo um número recorde de refugiados no mundo. Contudo, também estamos vivendo uma fase na que os Estados colocam grandes barreiras para cruzar as fronteiras. Anistia Internacional explica que os refugiados tiveram mais dificuldades para atravessar as fronteiras que, por exemplo, os responsáveis de atiçar a violência que obriga essas pessoas fugirem de seus lares.

Aos milhões de refugiados no mundo, é preciso adicionar os 214 milhões de imigrantes. Eles também se acham em grave situação de vulnerabilidade dos seus direitos. “Nem os países de origem, nem os países receptores fizeram muito para proteger essas pessoas”, argumenta Anistia Internacional. Durante o tempo em que os países do Norte continuam tentando superar a crise financeira provocada em 2008, as pessoas imigrantes vêem os seus direitos fundamentais diminuídos e vulnerados. Em muitos países de acolhida, cresce a xenofobia e se escutam de novo frases como “trabalho para os que são deste país”, “vêm tirar o trabalho de nós”… Para além dos problemas sociais, as pessoas imigrantes estão padecendo os cortes dos orçamentos sociais uma e outra vez. Um exemplo claro é a Espanha, onde os imigrantes sem trabalho nem subsídio de desemprego deixaram de ter o direito de serem atendidos por Saúde Pública. Se adoecerem, terão de passar primeira pela caixa.

As pessoas imigrantes, deslocadas e refugiadas são pessoas vulneráveis, afastadas dos seus seres queridos e de seus países. Além disso, recebem castigo dobro ao serem condenados a continuar vivendo na miséria, perseguidos, tratados como delinqüentes. A sociedade e a comunidade internacional não podem continuar virando o rosto. Os cidadãos têm de exigir respeito pelos direitos humanos e que sejam iguais para todos. O futuro não está marcado, todos juntos podemos construir um futuro mais justo. “A proteção dos direitos humanos diz respeito a todos nós. As novas tecnologias da informação não deixam esconder os abusos e surgem oportunidades sem precedentes de cada pessoa defender os direitos de milhões de pessoas”. Acabou o tempo da inação.

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