Camboja: O fantasma da fraude ronda as eleições no Camboja

sexta-feira 6 de Setembro de 2013

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Data: 5 de agosto de 2013.

Tipo: Fonte de notícias: Global Voices Online East Asia (Vozes Globais Online Ásia do Leste).

As palavras-chave: Eleições cambojanas.

Como era esperado, foi declarado vencedor das eleições para a Assembléia Nacional o partido governista do Camboja, porém a oposição rejeitou os resultados e acusou o governo de cometer fraude em massa.

O Partido do Povo do Camboja (Cambodian People’s Party (CPP)) presidido pelo Primeiro-Ministro Hun Sem, que leva 28 anos no poder, obteve 68 cadeira, enquanto isso, o partido da oposição – Partido de Salvamento Nacional do Camboja (Cambodian National Rescue Party (CNRP) – conseguiu 55 cadeiras.

Talvez o que escreveu Andy Brouwer no Twitter exprima perfeitamente o impacto geral dos pleitos:

A febre eleitoral ficou atrás, os resultados já são conhecidos e, finalmente, nada vai mudar, não obstante o notável avanço da oposição.

— Andy Brouwer (@AndyBrouwer) 29 de julho de 2013.

O popular escritor e blogueiro cambojano Kounila Keo, ao escrever no Bangkok Post, reconheceu a participação ativa da juventude na campanha eleitoral:

…não se pode negar a ativa participação da juventude cambojana, tanto na internet, quanto nos meios sociais. E eles estão ávidos de uma mudança em suas vidas e na de sua próxima geração.

Não importa quem ganhou estas eleições. Apesar das irregularidades no processo eleitoral, os jovens votantes conseguiram deixar atrás o temor de que suas vozes sejam escutadas através das cédulas. Eles querem uma mudança..

Por sua vez, um jovem eleitor afirmou: estou comovido pela disposição dos jovens de participar ativamente e demonstrar sua coragem pela primeira vez.

Durante a campanha eleitoral de 30 dias, centenas de milhares de jovens se lançaram às ruas em Phnom Penh e fizeram uso dos meios sociais para expressar os seus pensamentos e as suas convicções sem nenhum temor. De repente, me senti empoderado para discutir os assuntos políticos profundamente, em liberdade total sabendo que já não estaria sozinho.

Tharum percebeu que os meios sociais se converteram em uma fonte mais fiável para acompanhar o desdobramento das eleições do que os meios de imprensa oficiais:

Graças à magra cobertura televisiva e às intermitentes transmissões radiofônicas, o meu pai começou a seguir as notícias por YouTube no seu smartphone. #electionskh

— Tharum Bun (@tharum) 29 de julho de 2013.

Tith Chandara lamenta o comportamento pouco ético de alguns usuários da internet:

A participação de alguns usuários dos meios sociais no Camboja para apoiar o seu partido favorito foi pouco ética e violenta, em algumas ocasiões. Escutaram-se palavras desagradáveis, respostas agressivas, e falsos gráficos desde o começo da campanha. Os usuários trocaram fotos, gráficos, sem confirmar as fontes, mesmo sabendo que a informação ainda não era oficial.

Jinja analisou os resultados eleitorais e mencionou algumas irregularidades na votação:

Esta é a primeira vez que amigos Khmer se aproximaram de mim e comentaram que os seus nomes não aparecem no cadastro eleitoral, ou que alguém votou neles. Os observadores internacionais estão de acordo em sentido geral.

Casey Nelson comentou que a etnia vietnamita tinha sido vilipendiada durante a campanha eleitoral:

Os vietnamitas são a etnia Khmer Outros, o principal grupo minoritário que acabou carregando a culpa no período de tensão política e social.

A relação entre o Vietnã e o Camboja é complicada. Entre os dois países existe um antagonismo étnico tradicional e complexo com animosidades históricas e políticas que não se justificam completamente. Contudo, se a situação fica feia no Camboja, quase sempre, ou sempre, os vietnamitas pobres e indefesos carregam a culpa.

Sebastian Strangio, na sua página em Ásia Times Online recordou à oposição que comparecesse às mesas eleitorais para obter maior influência política:

À medida que o país entra em um novo mundo político, a oposição, ruborizada com o sucesso, terá de interpretar uma dança complexa se quiser transformar os resultados eleitorais em verdadeiras reformas e um poder prático.

Porém Caroline Hughes, que escreveu um artigo para Asia Sentinel, duvida de que a oposição tenha uma verdadeira alternativa que oferecer:

…é difícil calcular com base nos pronunciamentos do partido de oposição como eles poderão fabricar uma estratégia de desenvolvimento para o Camboja que seja muito diferente da que o CPP utilizou durante sua presidência. Em termos de desenvolvimento, o Camboja imitou simplesmente seus vizinhos mais adiantados do Sudeste Asiático ao tratar de traçar uma estratégia de despojar de ativos o campo e afundar os pobres nas zonas rurais em um processo de manufatura de baixo salário e em empregos de serviços nos povoados.

Brad Adams de Human Rights Watch mencionou a proliferação de documentos eleitorais falsos que minaram o processo de votação:

Parece que houve importantes funcionários do partido governista que estiveram envolvidos na emissão de documentos eleitorais falsos e no cadastramento fraudulento de votantes em numerosas províncias. E parece, também, que membros do partido apareceram em lugares onde eles não vivem e insistiram em que lhes permitissem votar, sem falar em outras fraudes denunciadas no país.

Os diferentes esquemas de votação sugerem a possibilidade de uma fraude eleitoral sistemática por parte do CPP e, portanto, há sérias dúvidas quanto à credibilidade da eleição.

Porém, outros observadores internacionais descrevem as recentes eleições cambojanas como “livres, justas e transparentes”:

…uma vitória da vontade popular e uma vitória para o povo cambojano à procura de um mundo melhor, com base na supremacia e o caráter sacrossanto do voto.

Para Nikitung91, precisa-se de uma coalizão para melhorar a situação existente no país:

Continuo achando que uma coalizão seria uma magnífica solução… mas nenhum partido concorda…

No final do dia, francamente não me interessa quem tomará as rédeas do país, só quero um país sadio e forte que melhore. Não haverá Guerra interna no país se prestarmos atenção à população, não haverá necessidade de fraude nas eleições, nem teremos de manipular os meios de comunicação.

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