Defensores sírios dos direitos humanos querem mandar a Síria à Corte Internacional Penal

segunda-feira 10 de Junho de 2013

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Fonte: Instituto de Estudos sobre os Direitos Humanos do Cairo (CIHRS por suas siglas em inglês).

Data: 9 de junho de 2013.

As palavras-chave: CIHRS, Defensores dos direitos humanos, Síria, Nações Unidas.

O Instituto de Estudos sobre os Direitos Humanos do Cairo (CIHRS), em articulação com a Rede Euro- Mediterrânica de Direitos Humanos realizou um evento colateral ontem, sexta-feira, 7 de junho de 2013, sobre a situação dos direitos humanos na Síria. O evento fez parte das atividades realizadas pelo CIHRS durante o vigésimo terceiro período de sessões do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que decorre em Genebra e que se estenderá até o dia 14 de junho.

O evento colateral foi prestigiado por cinco defensores dos direitos humanos da Síria. Eles ofereceram uma visão geral da situação dos direitos humanos no seu país e destacaram os crimes que foram cometidos pelas diferentes partes envolvidas no conflito interno armado na Síria. Entre os oradores havia representantes da Rede de Direitos Humanos Assíria, o Centro de Damasco para Estudos sobre Direitos Humanos, O Centro de Documentação das Violações na Síria, e o Centro Sírio pelos Direitos Humanos, para além de representantes de um grupo de direitos humanos de mulheres sírias.

O evento colateral foi aberto pelos oradores, que explicaram a união de diferentes organizações sírias para participar do vigésimo terceiro período do Conselho de Direitos Humanos, com o propósito de chamar a atenção da comunidade internacional sobre o sofrimento do povo sírio e exortá-la a realizar ações urgentes para conter as sérias violações que são cometidas contra os civis no país, o envio da Síria à Corte Penal Internacional inclusive, para prestar contas pelos crimes internacionais cometidos.

Os defensores sírios dos direitos humanos gostariam que o conflito na Síria terminasse pacificamente, mas asseguraram que a paz não será atingida se os responsáveis pelos crimes ficarem impunes. Afirmaram que a paz na Síria vai exigir justiça e castigo para todas as partes que cometeram violações dos direitos humanos, quer seja dando seu apoio, quer seja fazendo parte da oposição ao regime governante.

Uno dos oradores advertiu sobre as violações dos direitos humanos das minorias religiosas e étnicas na Síria destacando que o governo sírio tomou medidas para enquadrar a revolução como um fenômeno sectário e para militarizá-lo. Mencionou como exemplo o ataque intencional do governo contra os cristãos na Síria para evitar sua adesão à revolução. Também expressou que as forças opostas ao governo também cometeram violações contra as minorias.

A representante síria da organização dos direitos da mulher centrou-se na situação das mulheres na Síria e nas violações às que são submetidas desde o começo da revolução síria, ao afirmar: “as violações contra as mulheres na Síria são cometidas por todas as partes envolvidas no conflito – as que simpatizam com o governo, ou as que se opõem ao governo – contudo, foi o governo sírio que começou as violações.” Ela detalhou a situação das mulheres sírias que se refugiaram em países vizinhos. E destacou que os refugiados sírios se acham numa posição muito vulnerável e carecem de apoio apropriado. De fato, puderam documentar no Egito, Turquia, Jordânia e Líbano casos de casamentos de meninas menores de idade e de casamentos temporários de mulheres sírias.

O evento também deu destaque à documentação sobre as violações e assinalou que resulta crítico documentar as violações cometidas por todas as partes envolvidas no conflito na Síria. Os oradores colocaram de relevo que o governo sírio é responsável pelas violações sistemáticas aos direitos humanos, o uso de armas inclusive, e mencionaram a artilharia pesada utilizada contra zonas residenciais.

O último orador afirmou que assassinatos extrajudiciais correram por conta uma e outra vez das forças do governo sírio, inclusive os assassinatos em massa, as execuções sumárias e a atividade de franco-atiradores. Expressaram que dezenas de milhares de sírios morreram durante os bombardeios indiscriminados.

O evento colateral foi encerrado reafirmando a necessidade de encontrar o fim imediato do conflito e garantindo que os responsáveis dos abusos cometidos contra os direitos humanos na Síria terão de pagar pelos seus atos.

Ver em linha : http://www.cihrs.org/?p=6776&lang=en

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