Free Arabs: Democracia, secularização e entretenimento

quarta-feira 24 de Abril de 2013

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Fonte: Nawat.

Data: 23 de abril de 2013.

As palavras-chave: Informação, Democracia, Islã, Visão alternativa.

A primavera árabe dificulta a chegada do verão e os políticos acabam nos enlouquecendo. Nós podemos rir deles, é verdade, mas rir de nós mesmos é outra coisa. Free Arabs, a última recém-nascida no cenário midiático eletrônico magrebino nos ajudará. Informação e humor; é mais uma zombaria sangrenta do que uma brincadeira colegial; Free Arabs pula no charco, desbarata os estereótipos, se posiciona contra idéias herdadas. E pior para quem se incomodar com isso. É verdade que Ahmed Benchemsi, seu fundador não transige: com efeito, podemos rir de tudo.

Free Arabs é uma idéia de Ahmed Benshemsi, reconhecido no Marrocos por ter lançado em 2001 o semanário em língua francesa TelQuel y Nishan, e sua versão em árabe, alguns meses depois. TelQuel conquistou simpatias rapidamente pelo seu tom descontraído, o que acabou trazendo problemas: em 2009, uma investigação dos negócios do rei Mohamed VI conduziria ao boicote publicitário da revista pelas empresas filiadas ao rei. O resultado: menos de 80% das receitas publicitárias em um ano, ameaças e censura do Nishan.

Ahmed Benchemsi pego nas malas e partiu para os Estados Unidos quando a revolução no Magrebe estava no seu apogeu. “Perguntei, então, o que é que eu estava fazendo por lá, quando tudo estava se passando aqui”. Aí começou seu processo de aprendizagem digital graças a um mergulho no Twitter.

“Descobri assim uma geração de jovens ativistas liberais, laicos, ativos na rede. Depois, percebi que, na prática, a revolução tinha cedido o poder aos islamitas e aí me perguntei: o que tinha acontecido com todos esses jovens?”

Por isso, sinto necessidade e desejo de lhes dar a palavra através de um site informativo.

De momento, são cinco pessoas trabalhando no site, que se publica principalmente em inglês e, às vezes, um pouquinho em árabe. O site terá de ser publicado em três línguas, e, principalmente, haverá de achar um modelo econômico se quiser ser viável.

Democracia, secularização, entretenimento

O lema do site é a sua linha editorial: democracia, secularização e entretenimento. O site mostra sua particularidade: “somos leigos e não escondemos. Esse é um dos problemas dos liberais do mundo árabe, não se atrever, justamente, a assinalar-se leigo” declara Ahmed Benchemsi.

Com Free Arabs, o jornalismo leva mais uma vez a marca do vanguardismo.

“ A minha hipótese profissional é que há milhões de pessoas no mundo árabe que estão na busca de um sentido às contradições que vivem no dia-a-dia; seu modo de vida está em contradição com as leis estabelecidas, com as mentalidades, com as normas religiosas vigentes, com tudo que lhes dizem ser e fazer… essa gente tem necessidade de compreender por que mentem constantemente. A maioria permanece silenciosa. Não estou falando nos ativistas leigos, estou falando em todos os árabes que tratam de dar coerência ao fato de estarem em contradição aberta com as normas que supostamente devam governar”. Mensagem política, sociológica e psicológica.

Se bem que Free Arabs introduz certo humor para oferecer uma visão alternativa das sociedades árabes, também leva em conta a informação e a educação. Defende claramente a democracia como um sistema de valores que não culmina com o voto.

Free Arabs tem várias mensagens. A mensagem política, em primeiro lugar, com sua defesa da democracia, mas também a mensagem social com a secularização. E tem, também, uma mensagem psicológica:

“Riamos de nós mesmos! Libertemo-nos! Até agora, a noção de resistência árabe é muito séria, tensa demais. Agora, é possível resistir de uma maneira criativa. Podemos ser simpáticos e sem complexos. Isso é ser subversivo”.

Militância criativa

Finalmente, Free Arabs trabalha a militância divertindo-se: através de Free arabs got talent ou The Fatwa show, o site luta tenazmente contra os estereótipos. O ativismo pode desenvolver-se de uma maneira diferente. Estamos imersos demais na vitimação, nos fechamos neste papel e não conseguimos sair de lá. Porém, é preciso deixar isso! Devemos ser criativos! “Devemos inventar coisas, pôsteres, vídeos, fazer arte, para levantar a moral” assinala Ahmed Benchemsi.

http://youtu.be/pkgnS0ghbuQ .

Um episódio de The Fatwa Show sobre como as mulheres utilizam as cenouras. O script se baseia numa fatwa bem real.

Rir de tudo

A sociedade, a política, a investigação, a arte, o humor e até a sátira. A jovem equipe de jornalistas, blogueiros e ativistas de Free Arabs atacam tudo só para defender a liberdade de uma maneira criativa. Nós podemos rir de tudo, mas não com todo o mundo! Trata-se de um site Web al alcance de todos. Sem dúvida, haverá pessoas que não vão gostar. Por tal motivo vamos nos adaptar a todos? Será preciso baixar o nível só porque alguns não estão preparados para rir de si mesmos? Pergunta-se Ahmed. Contudo, baixar o tom não é o estilo da casa. Rir da gente mesma é de rigor. “É o começo da tomada de consciência da cidadania de que nós somos uma coleção de sujeitos, de um grupo EU que escolhem funcionar juntos, em função dos valores que determinem juntos. Não defendemos o enfoque centrado nas comunidades, nada disso, para nós, porém, uma das melhores formas de construir é rir disso”.

Porém, como tínhamos previsto todo o mundo não se diverte. O conceito da secularização não agrada todo o mundo. Algumas críticas argumentam que o site está em inglês, o que limita os árabes, já que todos falam o árabe.

Finalmente, a única crítica que tem certo sentido é a que assinala o risco do extremismo leigo, que alimentaria, também, os preconceitos contra os não leigos. Afinal, não seria Free Arabs também um pouco extremista? Ahmed Benchemsi se defende manifestando que não se pode ser extremista se a gente defende a liberdade. “Essa crítica não está bem fundamentada, isto porque o que queremos é a liberdade. Seríamos extremistas se pedíssemos que a religião sumisse do mapa, mas este não é o nosso caso. Como alguém pode ser um extremista da liberdade? Para mim, uma pessoa secular é aquela que deseja que cada um de nós seja livre. Agora, se pensam que o que nós queremos é impor a liberdade, então podemos dizer que nós somos, sim, extremistas”.

Ver em linha : http://nawaat.org/portail/2013/04/2...

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